Semana passada eu terminei de ler Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá, de Lewis Carroll com as ilustrações originais de John Tenniel, para a Melissa. Foi uma leitura demorada, pois sempre líamos um capítulo por dia, antes de dormir. Houveram dias em que ela adormecia no meio do capítulo e precisávamos reler no dia seguinte e, também, os dias em que queríamos variar a leitura e escolhíamos outros livros para ler. Enfim, depois de dois meses, terminamos. E adoramos!
Aventuras de Alice no País das Maravilhas foi publicado pela primeira vez em 1865 e – 145 anos depois – ainda é capaz de encantar e instigar a imaginação de adultos e crianças. Conta a história, maluca (que todo mundo – ou quase – sabe de cor!) da menininha que cai no buraco de uma toca, após perseguir o Coelho Branco. Lá embaixo, no fantástico mundo subterrâneo, ela vivencia as mais loucas situações: encolher ou aumentar de tamanho dependendo do que se come ou bebe, nadar em um mar de lágrimas, recitar poemas à uma lagarta sabichona, cuidar do bebê-porco da Duquesa numa casa cheia de “louças voadoras” e infestada de pimenta, conversar com um gato que sorri e desaparece, (não) tomar chá com a Lebre de Março e o Chapeleiro Louco, jogar croqué com a Rainha de Copas e ser acusada – e condenada! – por ter roubado as tortas de Sua Majestade, dentre outras situações inusitadas, envolvendo as mais diversas criaturas bizarras, tão típicas dos sonhos.
“Tome mais um pouco de chá”, a Lebre de Março disse a Alice, de maneira muito sincera.
“Como ainda não tomei nenhum”, Alice respondeu em tom ofendido, “não posso tomar mais”.

A Mel se divertiu muito com os encontros e situações absurdas do livro. E pude perceber que o que ela mais gostou – exatamente o que mais me encantou neste livro também – foi a própria Alice! A menina excessivamente curiosa, perceptiva, sincera e educada, cheia de perguntas e argumentos, muito corajosa e, às vezes, super assustada. Suas conversas consigo mesma e com a gatinha Diná são “diálogos” deliciosos de se ler. Para mim, Alice é um dos personagens mais encantadores de todos os tempos.
No segundo livro, Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá, publicado em 1872, em mais um sonho muito louco, anos após as aventuras no País das Maravilhas, Alice atravessa para o outro lado do espelho da sala. Lá tudo é ao contrário e a menina se relaciona com as Rainhas Vermelha e Branca do xadrez. A propósito, a história se passa num grande tabuleiro, onde Alice começa como peão e termina como Rainha. O jardim das rosas falantes faz parte do mundo do espelho, assim como nossos velhos conhecidos Tweedledum e Tweedledeem e suas engraçadíssimas confusões.

“Sei no que está pensando”, disse Tweedledum; “mas não é isso, de maneira alguma”.
“Ao contrário”, continuou Tweedledee, “se era assim, podia ser; e se fosse assim, seria; mas como não é, não é. Isto é lógico”.
A leitura de Alice através do espelho é mais pesada e cansativa, mesmo para os adultos. Foi a parte do livro que demoramos mais prá ler, por conta das vezes que Memel pegou no sono devido à narrativa um pouco mais arrastada. No entanto, no dia seguinte, ela acordava contando os últimos acontecimentos, sempre interessada no que estava por vir. Sinal de que tava curtindo, não é mesmo? Convém rmencionar novamente as conversas engraçadinhas e super fofas de Alice com suas gatas, logo no primeiro capítulo.
Well. Interpretações filosóficas e matemáticas não entram no escopo deste post, beleza? Quem quiser estudar mais a respeito do assunto, bem como sobre a biografia do polêmico autor, encontra bastante coisa neste site dedicado à análise desses dois livros. Destaco, especialmente, os manuscritos originais, que deram origem ao livro de Alice no País das Maravilhas, Alice’s Adventures Under Ground.

Ah! Sabe a “personagem” Mary Ann do livro? Na verdade não é uma personagem, é o nome pelo qual o Coelho chama Alice quando a vê, talvez confundindo a menina com sua criada:
“Ora essa, Mary Ann, que está fazendo aqui? Corra já até em casa e me traga um par de luvas e um leque! Rápido, vá!”
Foi assistindo essa passagem do filme da Disney que nós escolhemos o nome da caçula aqui de casa. “Mariana, ô, Mariana”, dizia o Coelho, na dublagem em português… eu e Hisashi olhamos na hora um pro outro, já sabendo que o nome do bebê ia ser este! Gostaram?
Agora nós estamos lendo Pipi Meialonga. Daqui uns meses, LOL, conto como foi a leitura!
rs Beijos e bom fim de semana.
As imagens foram retiradas do site que comentei no texto e os direitos autoriais já expiraram.